Em junho, o Calgary BR Tech mudou o formato. Em vez de uma palestra, o encontro de junho de 2025 foi uma mesa redonda sobre trabalhar para empresas dos Estados Unidos, com André Buarque e Raphael Araújo como convidados. A sala estava cheia, com muitos rostos novos, e o público foi convidado a perguntar a qualquer momento, sem esperar o final.
Dois caminhos bem diferentes
Raphael tinha acabado de completar um ano em Calgary, vindo direto de uma cidade pequena do interior de Minas Gerais. Ele faz sites desde o começo dos anos 2000 e trabalha remoto desde 2009. A porta para o mercado norte-americano se abriu em 2021, quando uma recrutadora o encontrou numa RubyConf e o conectou a uma empresa de Calgary que aloca desenvolvedores para um cliente americano.
André se apresentou como alguém que “não é desenvolvedor”, mas vive tecnologia desde que fez seu primeiro site, aos 14 anos. Depois de uma primeira carreira em web design, migrou para vendas e liderança, passando por Groupon e Booking.com, e chegou ao Canadá como executivo transferido. Hoje toca o próprio negócio e atua como CMO fracionado para empresas de Calgary e dos Estados Unidos.
Contratos, prazos de pagamento e mercado
A parte prática veio primeiro. André foi direto: empresa americana nenhuma vai te contratar como funcionário estando no Canadá. O caminho é abrir uma sole proprietorship ou uma corporation e prestar serviço como empresa, sem precisar de visto americano. Raphael trouxe um detalhe que pegou muita gente de surpresa: com o prazo “net 30” entre o cliente e a agência, o primeiro pagamento dele só caiu uns 60 dias depois de começar.
André também deu sua leitura sobre o mercado local mais apertado, ligando isso ao recuo do venture capital depois da quebra do Silicon Valley Bank e da alta dos juros.
A cultura é o trabalho de verdade
A maior parte da conversa foi sobre cultura. Raphael descreveu colegas educados, que focam em resolver o problema em vez de procurar culpados, mas também horário rígido, pagamento por hora e pouco espaço para sair do escopo combinado.
André falou do que chamou de pontos fortes do brasileiro, ser “MacGyver”, flexível e adaptável, e de como aprendeu a lidar com líderes americanos sendo “o pescoço, e não a cabeça”: valorizando o ego do outro enquanto conduz a mudança. O canadense, segundo ele, demora mais para confiar. O conselho para networking ficou em inglês mesmo: “Don’t be interesting. Be interested.”
Perguntas da plateia
As perguntas passaram pelos anos de André na Booking.com e pela adaptação a times internacionais, que ele resumiu como ser brasileiro sem ser “too much Brazilian”. Outra pessoa perguntou sobre empreender com startup por aqui, e um empresário brasileiro-canadense na plateia completou com a própria experiência de desaprender o que funcionava no Brasil. A noite terminou com aplausos e muita conversa que seguiu no networking.
Assista à gravação completa abaixo para acompanhar o bate-papo inteiro.
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