Quantas vezes você ouviu nos últimos 2 a 3 anos que o processo seletivo está quebrado? Que o ATS está te rejeitando automaticamente? Que seu currículo não está “otimizado” para IA?
Provavelmente vezes demais! Você está exausto, subempregado ou desempregado, sentindo-se impotente e cansado das inúmeras “dicas” conflitantes que aparecem por aí sobre como ser visto.
Neste artigo, não pretendo responder a essas perguntas — quero oferecer uma perspectiva do lado de quem contrata.
A Recalibração do Mercado
Olha, o mercado de trabalho se move em ciclos. Às vezes é um mercado do candidato — onde as oportunidades são abundantes e as empresas competem por talentos. Outras vezes, é um mercado do empregador — onde as organizações têm a vantagem.
Agora, estamos em uma recalibração — um reajuste após um dos mercados mais favoráveis aos candidatos da história, durante a pandemia (frequentemente chamado de “era ZIRP”). Isso foi especialmente verdadeiro para empregos em tecnologia.
Durante o período ZIRP, as empresas ofereciam aumentos de 20% ou mais, benefícios generosos, flexibilidade remota e processos seletivos ultrarrápidos. Hoje, o ambiente é muito diferente:
- Empresas recebem um número enorme de candidatos
- Orçamentos estão apertados — uma contratação errada pode significar perder headcount futuro
- Muitas organizações operam com “manuais de recessão”, com processos seletivos mais lentos
- A tomada de decisão tornou-se cautelosa e deliberada
- O crescimento da IA aumentou o volume de candidatos, pressionando os recrutadores
Este momento foi chamado de “A Grande Hesitação”: Menos ofertas. Mais entrevistas. Prazos mais longos. Padrões mais altos.
Para recém-formados, o desafio é enorme. Você não está competindo apenas com habilidades — está competindo com a percepção de risco.
O que Está Acontecendo em Calgary
Ultimamente, o que tenho visto no mercado de trabalho de Calgary, com base nos clientes com quem trabalho, é uma pressão de cima para baixo na maioria das empresas em direção à otimização de processos e automação, reavaliação de ferramentas e garantia de que, se você paga caro por uma ferramenta, ela está sendo usada ao máximo.
Isso inclui também a otimização de pessoas — as empresas estão analisando se têm o talento certo para entregar o que o negócio quer.
Isso muda o que as equipes de contratação avaliam ao tomar uma decisão. Eles estão perguntando:
- Essa pessoa pode trabalhar presencialmente ou em formato híbrido quando necessário?
- Ela quer construir algo de longo prazo conosco?
- Ela pode ajudar a resolver um problema real que temos agora?
- Ela vai se integrar bem à equipe — ou criar desafios?
- Quem pode recomendá-la?
Quando centenas de currículos parecem similares, a pergunta-chave se torna: “Por que você?”
O que Você Pode Controlar
Primeiro de tudo, você precisa se lembrar de que, infelizmente, há muito nessa situação que está fora do seu controle. Mas as coisas que estão ao seu alcance, você deve dominar.
1. Seja Intencional com Suas Candidaturas
Escolha as 10 empresas onde mais gostaria de trabalhar e foque seu tempo com precisão nelas. Faça networking em eventos onde elas participam, tome um café com pessoas que trabalham lá, desenvolva projetos paralelos relevantes para o produto delas, aprimore suas habilidades em torno da stack tecnológica delas.
Isso não significa que você não deve se candidatar em outros lugares — mas o seu tempo além das candidaturas deve ser intencional.
2. Candidate-se a Vagas para as Quais Você Realmente É Adequado
A mentalidade de “não custa tentar” funciona em um mercado de candidatos. Em um mercado onde a empresa tem centenas de opções, ela pode ser seletiva e esperar pelo perfil perfeito.
3. Conecte-se com os Recrutadores Certos
Nem todos os recrutadores são iguais:
Recrutadores de Agências — Empresas externas contratadas pelas organizações para encontrar talentos especializados. Geralmente focam em cargos de nível médio a sênior, não em recém-formados.
Recrutadores Internos / Corporativos — Funcionários de uma empresa que contratam para diferentes departamentos. Conhecem bem a cultura e podem ser conexões valiosas.
Recrutadores de Early Career / Recém-Formados — Encontrados em organizações maiores (ex.: Meta, Amazon). Esses recrutadores são especializados em contratar estudantes e recém-formados — e são a sua melhor aposta se você está começando no mercado.
4. Busque Informações em Comunidades Confiáveis
- Recém-formados: conheça o BobaTalks — uma comunidade de apoio com eventos, recursos e orientação para busca de emprego.
- Amy Miller — Posta regularmente no LinkedIn com informações para quem está buscando emprego (também tem um canal no YouTube).
- Bonnie Dilber — Sempre posta sobre o processo seletivo.
- Mike Peditto — Outra voz confiável.
5. Seja Gentil Consigo Mesmo
Quando não conseguimos uma nova posição, tendemos a pensar que somos o problema — que estamos fazendo algo errado, que somos um fracasso.
A verdade é que há uma grande chance de você estar fazendo tudo certo, mas em um mercado competitivo, às vezes isso ainda não basta.
Seja gentil consigo mesmo e com os outros! Encontre sua comunidade para manter a sanidade durante essa fase difícil da nossa história como sociedade.
Boa sorte por aí! E que 2026 seja melhor para todos.
Escrito por Mônica Alves Maciel — Recrutadora e membro da comunidade Calgary BR Tech.