A quarta edição do Calgary BR Tech aconteceu em 29 de agosto, no Platform Innovation Centre, com duas palestras para quem ainda está tentando descobrir seu lugar na tecnologia (página do evento). Na abertura, o anfitrião lembrou por que o encontro existe: aqui somos poucos brasileiros na área perto de outras comunidades, então ficar perto, se ajudar e fazer networking é o que faz todo mundo crescer.
ServiceNow, e uma comunidade que nasceu de um comentário
Eduarda “Duda” Lyra abriu a noite. Ela trocou o direito pela tecnologia em 2022, desde então trabalha como analista de negócios em ServiceNow e tinha chegado ao Canadá fazia pouco mais de um mês. Explicou o que é a plataforma: uma ferramenta low-code que as empresas usam para gerenciar processos de TI, RH, financeiro e outros. Mostrou também o tamanho da adoção, inclusive em grandes empresas canadenses de vários setores. Depois passou pelas carreiras que existem em volta dela: desenvolvedor, administrador, consultor, analista de negócios, gerente de projetos e analista de treinamentos. Também indicou formas gratuitas de começar a estudar, como a plataforma Now Learning e uma instância pessoal de desenvolvedor sem custo.
O momento mais marcante foi a história da Now Girls, uma comunidade em português para mulheres que trabalham com ServiceNow. Duda criou o grupo com uma amiga em março, depois de alguém deixar um comentário desdenhoso num post do LinkedIn que buscava ajudar mulheres que não falam inglês. Hoje a comunidade tem mais de mil seguidores no LinkedIn e um grupo de WhatsApp movimentado, onde recrutadoras divulgam vagas. Nas perguntas, o público quis saber quais trilhas de estudo seguir e por que a certificação de System Administrator costuma ser o ponto de partida.
Seis ramificações de TI, ao vivo
Depois de uma pausa rápida para resolver um problema na transmissão, Júlio Falbo subiu ao palco. Ele é arquiteto de software e tech lead, tem cerca de 13 anos de carreira e já trabalhou no Brasil, na Dinamarca e na Itália. A ideia da palestra era ajudar quem está começando a não entrar na área errada e se frustrar logo de cara. Ele mesmo resumiu: acredita que “TI é para todo mundo”.
Ele passou por frontend, backend, DevOps, engenharia de dados, ciência de dados e cibersegurança, e mostrou a maioria delas funcionando na tela. Primeiro, um formulário dava erro por falta de backend e depois salvava com o backend no lugar. Em seguida, um pull request ficou bloqueado por testes quebrados antes de fazer o deploy automático. O público respondeu um formulário pelo QR code, e as respostas passaram por um pipeline de dados até chegar a um dashboard. Por fim, ele fez um ataque de SQL injection contra a própria aplicação e corrigiu a falha.
Para fechar, trouxe lições de quem trabalhou fora: fazer mais do que o esperado, compartilhar conhecimento e largar o complexo de vira-lata, porque a tecnologia feita no Brasil não deve nada a ninguém.
Perguntas, histórias e próximos passos
As perguntas foram para vários lados: por que tantos desenvolvedores não compartilham conhecimento, testes e QA, freelance e empreendedorismo, e generalistas versus profissionais T-shaped. Um participante também contou sua própria trajetória de décadas na área. A noite terminou com um convite para que qualquer pessoa da plateia dê uma palestra numa próxima edição, seguido de networking.
A gravação completa está logo abaixo, para você ver as demos com seus próprios olhos.
▶ Assista à gravação
Palestras separadas
- ServiceNow: o que é, carreiras e onde estudar · Eduarda Lyra
- Áreas de TI ao vivo: front, back, DevOps, dados e segurança · Júlio Falbo