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Da Queda à Liderança em Dados: 6 Lições Contraintuitivas de 20 Anos na Área
Histórias

Da Queda à Liderança em Dados: 6 Lições Contraintuitivas de 20 Anos na Área

Thiago Menezes sobreviveu a uma demissão brutal em 2024 e emergiu como Chief Data Architect no Alberta Energy Regulator. Aqui estão as seis lições de uma carreira construída na resiliência, não apenas no código.

A carreira “ideal” em tecnologia é vendida como uma ascensão linear: de júnior a sênior, aumentos progressivos e estabilidade previsível. Para quem passou duas décadas nas trincheiras, sabe que essa narrativa é uma mentira. Carreiras reais são forjadas no caos de crashes de mercado, mudanças políticas globais e crises pessoais.

No início de 2024, Thiago — um veterano de 20 anos no mundo dos dados — enfrentou o que ele chama de “A Queda”. Apesar de um currículo que passava por gigantes globais como IBM e Accenture, ele se viu desempregado em um mercado brutal, navegando por uma hipoteca com juros altos e um bebê de seis meses, enquanto seu carro “novo” literalmente se desintegrava.

Falando para a comunidade tech brasileira de Calgary, Thiago compartilhou como não apenas sobreviveu a esse colapso, mas o usou como catalisador definitivo para pivotar para seu cargo atual de Chief Data Architect no Alberta Energy Regulator. Aqui estão as seis lições contraintuitivas de uma carreira construída na resiliência, não apenas no código.

1. Pare de Ser um Empregado, Comece a Ser um Produto

A maioria dos candidatos trata entrevistas como um pedido de emprego. Esse é um erro estratégico fundamental. O mercado não quer comprar um “empregado”; quer comprar um “produto” que resolve um problema de alto risco.

Para cobrar um prêmio, você precisa desenvolver duas frentes de trabalho distintas:

  • O Trabalho de Bastidor: O aprimoramento técnico incansável que garante que seu “produto” realmente funciona.
  • O Discurso: A narrativa que vende a solução.

A missão pessoal de Thiago não é sobre “gerenciar bancos de dados”; é sobre “transformar a complexidade da infraestrutura em decisões estratégicas orientadas por dados”.

“Camarão que dorme, a onda leva.” Passividade nesse mercado é uma sentença de morte.

2. A Estratégia “Contrária” de Ferramentas: Dificuldade é Sua Vantagem

Em um mundo obcecado por ferramentas acessíveis e de “baixa barreira” — particularmente o ecossistema Microsoft — a jogada inteligente é ir onde os outros têm medo de ir. Se uma ferramenta é fácil de aprender, o mercado de trabalho para ela estará inundado e comoditizado.

Thiago construiu sua “vantagem competitiva” especializando-se em ferramentas legadas de “tela preta” e pesos pesados complexos: Syncsort, IBM DataStage e Informatica PowerCenter.

Sua estratégia em entrevistas: “Posso não conhecer sua ferramenta específica ainda, mas dominei a lógica do seu concorrente mais difícil. Posso fechar essa lacuna mais rápido e com mais profundidade do que qualquer outra pessoa.”

Ao escolher o caminho “difícil”, você para de competir com as massas e começa a operar no nível premium onde a demanda supera muito a oferta.

3. Por que “A Queda” é um Pré-Requisito para a Liderança

No início de 2024, Thiago foi demitido de uma grande empresa de energia devido a uma mudança estratégica global de liderança. Não foi por desempenho; foi por fatores políticos e econômicos — guerras, taxas de juros e o ciclo eleitoral dos EUA — que nenhum indivíduo pode controlar.

“A Queda” foi humilhante. Envolveu pagar por carros alugados estando desempregado e ver o plano de “carreira linear” desmoronar. No entanto, esse período de desemprego foi o necessário “puxão de orelha” que eliminou o ego e forçou uma reavaliação estratégica.

Ele percebeu que, para sobreviver no mercado canadense, precisava parar de buscar o “mesmo” emprego que tinha antes. Parou de se candidatar a cargos de engenharia e começou a se candidatar a cargos “um nível acima” (Chief/Principal), usando a perspectiva adquirida em seu ponto mais baixo para falar a linguagem da estratégia em vez de apenas da execução.

4. O “Segredo Indiano”: Sua Rede é Sua Armadura

A crítica mais afiada de Thiago foi direcionada aos hábitos de networking da comunidade tech brasileira. Ele compartilhou um exemplo revelador: após vencer um importante Hackathon da Adastra/Databricks, sua publicação no LinkedIn recebeu engajamento mínimo de sua própria comunidade. Enquanto isso, recrutadores e VPs — reconhecendo a validação externa — o ligaram de quatro a cinco vezes no dia seguinte.

Ele contrasta isso com o “modelo indiano” de networking:

  • Domínio da Indicação: Eles entendem que uma indicação é a única forma de contornar os “bots” automatizados que eliminam 95% dos currículos.
  • Migração Coletiva: Quando uma pessoa se move para uma nova empresa, ela puxa sua rede junto.
  • Apoio Massificado: Usam sua rede como uma força coletiva para amplificar as conquistas uns dos outros.

Se sua rede não é uma “máquina de indicações”, você está trabalhando dez vezes mais do que precisa.

5. A Armadilha das Fundações: IA Não É “Bater Papo”

Atualmente cursando um Mestrado em IA na Universidade de Ottawa, Thiago alerta que o hype em torno da IA Generativa está criando uma geração de profissionais “superficiais” que serão irrelevantes em 24 meses.

Sua pirâmide “Fundação-Motor-Inteligência” define o caminho para a relevância:

  1. Fundação: Matemática, Estatística, Governança e Qualidade — a “Verdade” dos dados.
  2. Motor: Plataformas como Databricks, Snowflake e domínio Multi-Cloud (AWS, GCP, Azure).
  3. Inteligência: GenAI e Machine Learning.

“Quanto mais fácil é aprender o que você está aprendendo, mais irrelevante você será em dois ou três anos.”

O conhecimento profundo de fundações “difíceis” é a única coisa que oferece segurança de emprego em um mundo orientado pela IA.

6. Ressignificando a “Experiência Canadense”

Muitos imigrantes veem “empregos de sobrevivência” (como o varejo) como uma mancha no currículo. Thiago argumenta que isso é um mal-entendido da psique canadense. Os empregadores valorizam essas funções porque provam que você dominou as sinalizações sociais, nuances do idioma e adaptação cultural locais.

A mudança de ser “mais um engenheiro imigrante” para um Chief Data Architect exigiu uma mudança tática na narrativa. Ele parou de tentar provar que podia “fazer o trabalho” e começou a provar que podia “liderar a visão”. Adaptou seu currículo para cada candidatura, garantindo que sua história fosse de arquitetura e estratégia contínuas.

Conclusão: A Verdadeira Medida da Maturidade

O sucesso em dados não é sobre uma trajetória impecável; é sobre o ciclo — aprender, falhar e retornar com uma visão mais aguçada. O crash de 2024 não destruiu a carreira de Thiago; ela a definiu.

O principal aprendizado para qualquer aspirante a arquiteto é este:

“A verdadeira maturidade de um arquiteto não é medida pelo tamanho do banco de dados que ele constrói. É medida por quantas portas ele abre para os outros.”

Enquanto navega pelo seu próprio caminho no universo dos dados, pergunte-se: você está apenas construindo mais um banco de dados, ou finalmente está pronto para abrir uma porta?

Tags: job-market job-search

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