A quinta edição do Calgary BR Tech aconteceu no dia 17 de outubro, no Platform Innovation Centre, e fechou nossa série sobre como competir no mercado de trabalho canadense. O encontro de outubro de 2024 trouxe duas convidadas que olham para a contratação de ângulos diferentes. Priscila Prado falou sobre como o candidato pode se preparar e se destacar, e Mônica Maciel mostrou o que acontece de fato do lado de quem recruta. A noite também foi transmitida ao vivo, com perguntas chegando de quem acompanhava online.
Preparação para se destacar
Priscila é psicóloga de formação e tem cerca de 20 anos de experiência em recrutamento e desenvolvimento de pessoas. Ela estava prestes a completar um ano em Calgary e retomou a conversa do encontro anterior que teve com a comunidade. Começou explicando como funciona um processo seletivo nos bastidores: o dono da vaga, o RH, às vezes um headhunter, e as short lists que reduzem centenas de candidatos a um punhado.
Depois, focou na entrevista, organizada em antes, durante e depois. No antes, entender a vaga e a empresa a fundo, e não só dar uma passada no site. Também preparar um pitch baseado em competências e resultados concretos. No depois, mandar um simples e-mail de agradecimento. Um número de uma consultoria de recrutamento de uma amiga chamou a atenção da sala: em 2023, só 3% das vagas foram preenchidas por portais de emprego, enquanto 97% vieram de networking e indicação.
Para fechar, ela fez um quiz de “fato ou fake” com o público. A última afirmação era se o selo Open to Work do LinkedIn pode prejudicar, e dividiu a sala. Na opinião pessoal da Priscila, ela não usaria o selo.
A visão da tela da recrutadora
Mônica começou com um asterisco. Ela é recrutadora de tecnologia no Canadá há cerca de dois anos e meio, depois de uma longa carreira como técnica de ginástica artística. Recrutamento é feito por seres humanos, lembrou, então toda dica, inclusive as dela, deve ser ouvida com um pé atrás. E provou isso na hora, discordando da Priscila sobre o selo. Como headhunter, ela prefere candidatos com Open to Work, porque eles respondem.
Ela chamou a exigência de “experiência canadense” de discriminatória e deu caminhos para contorná-la. Entre as sugestões estavam colocar o link das empresas anteriores no currículo, ter referências prontas e estar aberto a testes técnicos. Também fez uma busca ao vivo no LinkedIn Recruiter, mostrando o que o recrutador vê primeiro e por que palavras-chave e bullet points focados em resultados fazem tanta diferença. Para quem está começando, contou histórias de projetos pessoais que renderam entrevistas. Um deles era um site que previa resultados de partidas de League of Legends.
Perguntas, IA e networking
As perguntas passaram por tamanho de currículo, o quanto os bullet points devem ser técnicos, testes no estilo LeetCode e uma pergunta do Anderson para as duas sobre o uso de IA no processo seletivo. A resposta da Mônica foi direta: mensagens no LinkedIn escritas por IA são todas iguais, e ela não responde. Já a Priscila disse que preferiria deixar o candidato usar IA e avaliar como ele usa.
O Anderson encerrou lembrando que o grupo é de todos. Convidou o pessoal a propor palestras, ajudar na organização e dar prioridade aos colegas brasileiros quando souber de alguma vaga. Aí os snacks saíram da mesa e começou o networking.
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Palestras separadas
- Processo seletivo pelo lado do RH: pitch e método STAR · Priscila Prado